As Preciosas Confissões de Pitirim Sorókine

V. I. Lénine

21 de Novembro de 1918

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Escrito: 20 de Novembro de 1918
Publicado: 21 de Novembro de 1918 no jornal Pravda
Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Edições "Avante!", 1977, t2, pp 682-688.
Tradução: Edições "Avante!" com base nas Obras Completas de V. I. Lénine, 5.ª ed. em russo, t.37, pp. 188-197.
Transcrição e HTML: Manuel Gouveia
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Edições "Avante!" — Edições Progresso Lisboa — Moscovo.

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O Pravda inseriu hoje uma carta notavelmente interessante de Pitirim Sorókine à qual todos os comunistas devem prestar atenção especial. Nesta carta, que foi publicada no Izvéstia Sévero-Dvínskogo Ispolnítelnogo Komiteta(N338), Pitirim Sorókine declara que sai do partido dos socialistas-revolucionários de direita e que renuncia ao título de membro da Assembleia Constituinte. Os motivos do autor da carta reduzem-se a que lhe é difícil indicar receitas políticas salvadoras não só aos outros, mas também a si próprio, e por isso «renuncia a toda a política».

«O ano de revolução decorrido — escreve Pitirim Sorókine — ensinou-me uma verdade: os políticos podem enganar-se, a política pode ser socialmente útil, mas também pode ser socialmente nociva, mas o trabalho no domínio da ciência e da instrução popular é sempre útil, sempre necessária ao povo ...» Assinatura da carta: «Pitirim Sorókine, professor da Universidade de Petersburgo e do Instituto Psiconeurológico, ex-membro da Assembleia Constituinte e ex-membro do partido dos socialistas-revolucionários

Esta carta merece atenção, antes de mais como «documento humano» extraordinariamente interessante. Não é muito frequente encontrar-se uma sinceridade e uma franqueza assim, com as quais P. Sorókine reconhece o que há de errado na sua política. Praticamente na maioria dos casos, os políticos que se convencem da incorrecção da linha adoptada por eles tentam encobrir a sua viragem, dissimulá-la, «inventar» quaisquer motivos mais ou menos indirectos, etc. O reconhecimento aberto e honesto do seu erro político é já por si só um grande acto político. Pitirim Sorókine não tem razão quando escreve que o trabalho no domínio da ciência «é sempre útil». Porque também nesse domínio há erros, também na literatura russa há exemplos de prédica tenaz de opiniões reaccionárias, digamos, filosóficas, por pessoas que manifestamente não são reaccionárias. Por outro lado, a declaração aberta de um homem destacado, isto é, que ocupa um posto político conhecido por todo o povo e responsável, acerca da sua renúncia à política, é também política. Um reconhecimento honesto do erro político traz um proveito político muito grande a muitas pessoas, se se trata de um erro que era partilhado por partidos inteiros que em seu tempo tinham influência sobre as massas.

O significado político da carta de Pitirim Sorókine é extraordináriamente grande precisamente no momento actual. Ela dá-nos a todos uma «lição», que deve ser bem pensada e assimilada.

Todo o marxista conhece há muito a verdade de que só o proletariado e a burguesia podem ser forças decisivas em qualquer sociedade capitalista, enquanto todos os elementos sociais situados entre estas classes pertencentes à categoria económica da pequena burguesia vacilam inevitavelmente entre estas forças decisivas. Mas dum reconhecimento livresco desta verdade e à capacidade de tirar conclusões decorrentes dela numa situação complexa da actividade prática vai uma grande distância.

Pitirim Sorókine é um representante de uma corrente social e política extremamente ampla, da corrente menchevique e socialista-revolucionária. O facto de esta ser uma só corrente, o facto de que é insignificante a diferença entre os mencheviques e os socialistas-revolucionários, do ponto de vista da sua atitude para com a luta entre a burguesia e o proletariado, foi demonstrado de modo especialmente convincente e especialmente patente pelos acontecimentos da revolução russa a partir de Fevereiro de 1917. Os mencheviques e socialistas-revolucionários são variantes da democracia pequeno-burguesa, tal é a essência económica e a característica política principal desta corrente. A história dos países avançados mostra quão frequentemente esta corrente, na sua juventude, se pinta com cores «socialistas».

Pergunta-se: o que foi que afastou de modo especialmente forte os representantes desta corrente dos bolcheviques, da revolução proletária, há alguns meses atrás, e o que é que provoca neles agora uma viragem da hostilidade para a neutralidade? É perfeitamente evidente que a causa da viragem foi, em primeiro lugar, a falência do imperialismo alemão, ligada à revolução na Alemanha e em outros países, bem como ao desmascaramento do imperialismo anglo-francês; em segundo lugar, o desmascaramento das ilusões democrático-burguesas.

Detenhamo-nos na primeira causa. O patriotismo é um dos sentimentos mais profundos, fixados por séculos e milénios de pátrias isoladas. Entre as dificuldades especialmente grandes, pode dizer-se, excepcionais da nossa revolução proletária, contou-se a circunstância de ela ter tido que passar por uma fase do mais brusco afastamento do patriotismo, a fase da Paz de Brest. São compreensíveis a amargura, a exacerbação, a indignação enraivecida provocadas por esta paz, é desnecessário dizer que nós, marxistas, só podíamos esperar da vanguarda consciente do proletariado a compreensão da verdade de que estamos a fazer e devemos fazer os maiores sacrifícios nacionais em nome do interesse superior da revolução proletária mundial. Os ideólogos que não pertencem ao marxismo e as amplas massas dos trabalhadores que não pertencem ao proletariado temperado por uma longa escola grevista e revolucionária não tinham onde ir buscar nem uma firme convicção do amadurecimento desta revolução nem uma fidelidade incondicional a ela. No melhor dos casos, a nossa táctica parecia-lhes fantástica, fanatismo, aventura e desejo de sacrificar os interesses reais e mais evidentes de centenas de milhões de pessoas a uma esperança abstracta, utópica ou duvidosa em relação ao que ia acontecer em outros países. E a pequena burguesia, devido à sua posição económica, é mais patriótica do que a burguesia e do que o proletariado.

Mas as coisas passaram-se como nós dizíamos.

O imperialismo alemão, que parecia ser o único inimigo, desmoronou-se. A revolução alemã, que parecia ser um «sonhofarça» (para usar a conhecida expressão de Plekhánov), tornou-se um facto. O imperialismo anglo-francês, que a fantasia dos democratas pequeno-burgueses pintava como amigo da democracia e defensor dos oprimidos, revelou-se de facto uma fera que tinha imposto à república alemã e aos povos da Áustria condições piores do que as de Brest, uma fera que utiliza as tropas dos republicanos «livres», franceses e americanos, para o papel de gendarmes e carrascos, de estranguladores da independência e da liberdade das nações pequenas e fracas. A história mundial desmascarou esse imperialismo com uma profundidade e uma sinceridade implacáveis. Os factos da história mundial mostraram aos patriotas russos que não queriam saber de nada além das vantagens imediatas (e compreendidas à velha maneira) da sua pátria, que a transformação da nossa revolução russa em revolução socialista não era uma aventura mas uma necessidade, pois não se apresentava outra escolha: o imperialismo anglo-francês e americano estrangulará inevitavelmente a independência e a liberdade da Rússia, se não triunfar a revolução socialista mundial, o bolchevismo mundial.

Os factos são teimosos, diz o provérbio inglês. E nós tivemos que viver, nos últimos meses, factos que significam a maior viragem de toda a história mundial. Esses factos obrigam os democratas pequeno-burgueses da Rússia, apesar de todo o seu ódio ao bolchevismo, alimentado pela história da nossa luta dentro do partido, a virar da hostilidade ao bolchevismo primeiro para a neutralidade e depois para o apoio a ele. Desapareceram as condições objectivas que afastaram de nós com particular violência esses democratas-patriotas. Estabeleceram-se condições objectivas mundiais que os obrigam a virar para o nosso lado. A viragem de Piritim Sorókine não é, de modo algum, uma casualidade, mas a manifestação de uma viragem inevitável de toda uma classe, de toda a democracia pequeno-burguesa. Não é marxista, é um mau socialista quem não souber ter em conta e utilizar isto.

Prossigamos. A fé na acção salvadora universal da «democracia» em geral, a incompreensão do facto de que ela é uma democracia burguesa, historicamente limitada na sua utilidade e na sua necessidade, tal fé e tal incompreensão mantiveram-se em todos os países durante séculos e decénios, de uma maneira especialmente firme entre a pequena burguesia. O grande burguês passou por tudo, sabe que a república democrática, como qualquer outra forma de Estado sob o capitalismo, não é senão uma máquina para reprimir o proletariado. O grande burguês sabe-o através do seu conhecimento mais íntimo dos verdadeiros dirigentes e das molas mais profundas (com frequência mais ocultas precisamente por isso) de qualquer máquina de Estado burguesa. O pequeno burguês, devido à sua situação económica e a todas as condições da sua vida, é o menos capaz de assimilar essa verdade e conserva até ilusões de que a república democrática significaria uma «democracia pura», um «Estado popular livre», um poder do povo fora das classes ou acima das classes, uma manifestação pura da vontade de todo o povo, etc., etc. A solidez destes preconceitos de democrata pequeno-burguês é provocada necessariamente pelo facto de ele estar mais afastado da luta de classes aguda, da bolsa, da «verdadeira» política, e seria perfeitamente não marxista esperar que se possam erradicar esses preconceitos apenas por meio da propaganda e num período breve.

Mas a história mundial corre agora com uma rapidez tão furiosa e destrói tudo o que é habitual, tudo o que é velho, com um martelo de uma potência tão imensa, com crises de uma força tão inaudita que os preconceitos mais sólidos não resistem. No «democrata em geral» surgiu de modo natural e inevitável a fé ingénua na Constituinte, uma contraposição ingénua da «democracia pura» à «ditadura proletária». Mas aquilo que os partidários da Constituinte viveram em Arkhánguelsk e em Samara, na Sibéria e no Sul, não podia deixar de destruir os preconceitos mais sólidos. A república democrática idealizada de Wilson revelou-se de facto uma forma do imperialismo mais furioso, da opressão e estrangulamento mais descarados dos povos fracos e pequenos. O «democrata» médio em geral, o menchevique e o socialista-revolucionário, pensava: «para quê sonhar com um tipo de Estado pretensamente superior, com um Poder Soviético! Que Deus nos dê uma república democrática comum!» E, naturalmente, em tempos «comuns», relativamente pacíficos, tal «esperança» duraria longos decénios.

Mas agora, o curso dos acontecimentos mundiais e as lições mais cruéis da aliança de todos os monárquicos da Rússia com o imperialismo anglo-francês e americano mostram de facto que a república democrática é uma república democrática burguesa, já obsoleta do ponto de vista das questões colocadas pelo imperialismo na ordem do dia da história; que não há outra escolha: ou o Poder Soviético triunfa em todos os países avançados do mundo, ou triunfa o imperialismo anglo-americano, que aprendeu perfeitamente a utilizar a forma da república democrática, o imperialismo mais reaccionário, mais furioso, que estrangula todos os povos fracos e pequenos e restaura a reacção em todo o mundo.

Ou — ou.

Não há meio termo. Há bem pouco tempo, semelhante ponto de vista era considerado como fanatismo cego dos bolcheviques.

Mas aconteceu precisamente assim.

Se Pitirim Sorókine renunciou ao título de membro da Assembleia Constituinte, isso não é uma casualidade, é um indício da viragem de uma classe inteira, de toda a democracia pequeno-burguesa. E inevitável a divisão no seio dela: uma parte passará para o nosso lado, uma parte permanecerá neutra, e uma parte ligar-se-á conscientemente aos monárquicos-democratas-constitucionalistas, que vendem a Rússia ao capital anglo-americano e que se esforçam por estrangular a revolução por meio de baionetas estrangeiras. Saber ter em conta e aproveitar essa viragem entre a democracia menchevique e socialista-revolucionária da hostilidade ao bolchevismo, inicialmente para a neutralidade, e depois para o apoio a ele, é uma das tarefas essenciais do momento actual.

Todas as palavras de ordem que o partido lança às massas têm a propriedade de se ancilosar, de se tornar mortas, de conservar a sua força para muitos mesmo quando se modificam as condições que criaram a necessidade dessas palavras de ordem. Este é um mal inevitável, e sem aprender a combatê-lo e a vencê-lo é impossível assegurar uma política justa do partido. Era historicamente necessário aquele período da nossa revolução proletária em que ela se separou de forma especialmente brusca da democracia menchevique e socialista-revolucionária; era impossível prescindir dessa luta aguda contra tais democratas quando eles vacilaram para o campo dos nossos inimigos e se dedicaram à restauração da república democrática burguesa e imperialista. As palavras de ordem dessa luta ancilosaram-se e petrificaram-se agora em muitos casos, impedindo que se tenha em conta correctamente e se aproveite racionalmente o novo momento, em que começou uma nova viragem no seio dessa democracia, uma viragem para o nosso lado, uma viragem não casual, mas que tem as suas raízes nas condições mais profundas de toda a situação internacional.

Não basta apoiar esta viragem, acolher com amizade os que se voltam para nós. O político que tem consciência das suas tarefas, deve aprender a provocar esta viragem nas diferentes camadas e grupos da ampla massa democrática pequeno-burguesa, se está convencido de que existem razões históricas profundas e sérias para tal viragem. O proletário revolucionário deve saber a quem se deve reprimir e com quem se deve — quando e como — saber concluir um acordo. Seria ridículo e absurdo renunciar ao terror e à repressão em relação aos latifundiários e capitalistas e aos seus sequazes, que vendem a Rússia aos imperialistas «aliados» estrangeiros. Seria uma comédia tentar «convencê-los» e, em geral, «influenciá-los psicologicamente». Mas seria igualmente — se não mais — absurdo e ridículo insistir apenas na táctica da repressão e do terror em relação à democracia pequeno-burguesa, quando o curso das coisas a obriga a virar-se para nós.

E o proletariado encontra essa democracia por toda a parte. No campo, a nossa tarefa consiste em aniquilar o latifundiário, esmagar a resistência do explorador e do kulaque especulador; para isso podemos apoiar-nos firmemente apenas nos semiproletários, nos «pobres». Mas também o camponês médio não é nosso inimigo. Ele vacilou, vacila e vacilará: a tarefa de influenciar os vacilantes não é idêntica à tarefa do derrubamento do explorador e da vitória sobre o inimigo activo. Saber conseguir o entendimento com o camponês médio — sem renunciar, nem por um instante, à luta contra o kulaque e apoiando-se firmemente só nos pobres — tal é a tarefa do momento, pois é precisamente agora que a viragem no campesinato médio para o nosso lado é inevitável, devido às razões expostas atrás.

A mesma coisa diz respeito ao artífice, ao artesão e ao operário colocado em condições mais pequeno-burguesas ou que conserva concepções mais pequeno-burguesas, a muitos empregados, oficiais e — especialmente — à intelectualidade em geral. Não há dúvida de que no nosso partido se nota com frequência a incapacidade de utilizar a viragem no seio deles, e que esta incapacidade pode e deve ser superada e transformada em capacidade.

Nós temos já um apoio firme na enorme maioria dos proletários sindicalmente organizados. É preciso saber atrair para nós, incluir na organização geral e subordinar à disciplina proletária geral as camadas dos trabalhadores menos proletárias, mais pequeno-burguesas, que se viram para nós. Aqui a palavra de ordem do momento não é lutar contra elas, mas atraí-las, saber organizar a influência sobre elas, convencer aqueles que vacilam, utilizar os neutros, educar — com o ambiente da influência proletária de massas — os que se atrasaram ou só há bem pouco começaram a livrar-se das ilusões acerca da Assembleia Constituinte ou das ilusões «patriótico-democráticas».

Nós temos já um apoio suficientemente firme nas massas trabalhadoras. O sexto congresso dos Sovietes(N339) mostrou-o de modo especialmente patente. Nós não temos medo dos intelectuais burgueses e não enfraqueceremos nem por um minuto a luta contra os sabotadores raivosos e, entre eles, os guardas brancos. Mas a palavra de ordem do momento é saber aproveitar a viragem entre eles para o nosso lado. No nosso país ainda ficaram muitos dos piores representantes da intelectualidade burguesa que «aderiram» ao Poder Soviético: devemos deitá-los pela borda fora, substituí-los pela intelectualidade que ainda ontem nos era conscientemente hostil e que hoje é apenas neutra, tal é uma das tarefas mais importantes do momento actual, a tarefa de todos os funcionários soviéticos que têm contactos com a «intelectualidade», a tarefa de todos os agitadores, propagandistas e organizadores.

Claro está que o acordo com o camponês médio, com o operário menchevique de ontem, com o sabotador de ontem dentre os empregados ou intelectuais, exige capacidade, como também qualquer actividade política numa situação complexa e que se modifica tempestuosamente. Toda a questão está em que não devemos contentar-nos com a capacidade criada em nós pela nossa experiência anterior, mas devemos ir necessariamente mais longe, alcançar necessariamente mais, passar necessariamente das tarefas mais fáceis para as mais difíceis. Sem isso é impossível qualquer progresso em geral, é também impossível o progresso na construção socialista.

Há dias visitaram-me representantes do congresso dos delegados das cooperativas de crédito. Eles mostraram-me a resolução do seu congresso(N340) dirigida contra a fusão do banco cooperativo de crédito como banco popular da república. Eu disse-lhes que estou a favor do acordo com o camponês médio e tenho em alto apreço mesmo o início da viragem da hostilidade para a neutralidade em relação aos bolcheviques por parte dos cooperativistas, mas a base para um acordo só se cria com o seu consentimento relativamente à completa fusão do banco especial com o banco único da república. Então os representantes do congresso substituíram a sua resolução por uma outra, fizeram com que o congresso aprovasse essa outra resolução, na qual riscaram tudo o que se dizia contra a fusão, mas... mas apresentaram o plano de uma «união de crédito» especial dos cooperativistas, a qual de facto não difere em nada do banco especial! Isto era ridículo. Mudando as palavras só se pode, claro está, satisfazer ou enganar um tonto. Mas o « fracasso » de uma dessas ... «tentativas» não fará vacilar em nada a nossa política; nós realizámos e realizaremos a política de acordo com os cooperativistas, com o campesinato médio, rejeitando todas as tentativas de modificar a linha do Poder Soviético e da construção socialista soviética.

As vacilações dos democratas pequeno-burgueses são inevitáveis. Bastaram algumas vitórias dos checoslovacos para que esses democratas caíssem em pânico, semeassem o pânico, se passassem para os «vencedores», estivessem prontos a acolhê-los servilmente. Claro está que não se pode esquecer nem por um instante que mesmo agora bastarão êxitos parciais, digamos, dos guardas brancos americano-krasnovistas para começarem as vacilações para o outro lado, para que aumente o pânico, para que se multipliquem os casos de difusão do pânico, os casos de traições e de passagens para o lado dos imperialistas, etc., etc.

Nós sabemos isso. Não o esqueceremos. A base puramente proletária conquistada por nós do Poder Soviético, que é apoiado pelos semiproletários, manter-se-á invariavelmente firme. A nossa hoste não tremerá, o nosso exército não vacilará — sabemo-lo já por experiência. Mas quando profundíssimas mudanças históricas mundiais provocam uma viragem inevitável para o nosso lado no seio das massas da democracia sem partido, menchevique e socialista-revolucionária, devemos aprender, aprenderemos a utilizar essa viragem, a apoiá-la, a provocá-la nos correspondentes grupos e camadas, a realizar todo o possível no domínio do acordo com estes elementos, a facilitar com isto o trabalho da construção socialista, a diminuir o peso da dolorosa ruína, da ignorância, da incapacidade, que atrasam a vitória do socialismo.


Notas de rodapé:

(N338) Lénine cita a carta de Pitirim Sorókine segundo foi publicada no jornal Pravda (nº 251 de 20 de Novembro de 1918) que indicava erradamente que a carta fora publicada pela primeira vez no Izvéstia Sévero-Dvínskogo Ispolnítelnogo Komiteta. Na realidade, o jornal do Comité Executivo Provincial de Sévero-Dvinsk que tinha publicado a referida carta (nº 75, de 29 de Outubro de 1918) tinha o nome de Krestiánskie i Rabótchie Dúmi (Pensamentos Operários e Camponeses). (retornar ao texto)

(N339) O VI Congresso Extraordinário de Toda a Rússia dos Sovietes de Deputados Operários, Camponeses, Cossacos e Soldados do Exército Vermelho realizou-se em Moscovo de 6 a 9 de Novembro de 1918. A inauguração do Congresso coincidiu com a celebração do primeiro aniversário da Revolução Socialista de Outubro. Lénine interveio no Congresso com um discurso sobre o primeiro aniversário da Revolução e com um discurso sobre a situação internacional. O Congresso aprovou por unanimidade a resolução redigida por Lénine, anteriormente aprovada em 22 de Outubro de 1918 pela reunião conjunta do CECR, do Soviete de Moscovo, dos comités de fábrica e dos Sindicatos. O Congresso aprovou uma mensagem aos governos que conduziam a guerra contra a Rússia Soviética, com a proposta de começar negociações sobre a conclusão da paz, e também resoluções sobre a legalidade revolucionária, sobre a construção soviética, sobre a fusão dos comités de pobres com os Sovietes de vólost e os Sovietes rurais. Os delegados ao Congresso receberam com grande alegria a notícia do começo da revolução na Alemanha e exprimiram a sua solidariedade com a insurreição dos operários, soldados e marinheiros alemães. O Congresso dos Sovietes tirou as conclusões fundamentais do primeiro ano de existência do Poder Soviético e traçou o programa de actividade do governo soviético para o período imediato. (retornar ao texto)

(N340) V. I. Lénine tem em vista a resolução adoptada a 16 de Novembro de 1918 pelo Congresso Extraordinário dos accionistas do Banco Popular de Moscovo e orientada contra a nacionalização deste banco. Por decreto do Conselho de Comissários do Povo de 2 de Dezembro de 1918, o Banco Popular de Moscovo foi nacionalizado e todo o seu activo e passivo passou para o Banco Popular da RSFSR. A Direcção do Banco Popular de Moscovo foi transformada em secção cooperativa da Administração Central do Banco Popular da RSFSR. (retornar ao texto)

Fonte:
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Inclusão 31/07/2018

Assinado: N. Lénine.