MIA - Seção em Português
Francisco Martins Rodrigues
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1927-2008

 

Militante revolucionário de longa data, foi membro do CC do Partido Comunista Português e viria a romper com o seu reformismo por altura da polémica sino-soviética, fundando a FAP e o CMLP, a primeira organização marxista-leninista portuguesa. Foi o primeiro a introduzir em Portugal de uma forma organizada as lições da revolução chinesa e o exemplo de Mao Tsétung. Preso várias vezes e barbaramente torturado pela PIDE, manteve-se ao longo de toda a sua vida do lado da Revolução e empenhado na organização de uma corrente comunista revolucionária. O 25 de Abril de 1974 apanhou o camarada "Chico" na prisão e os militares "democratas" do MFA tentaram mantê-lo preso. Só a forte vontade popular e grandes manifestações à porta da prisão o conseguiram libertar. A partir de 1985 e até morrer em 2008 foi director da revista "Política Operária", que também fundou.

Antigo dirigente de topo do PCP, teórico e inspirador dos movimentos maoístas em Portugal, Martins Rodrigues manteve-se até ao fim fiel aos seus ideais e por isso foi um homem de rupturas ideológicas. Procurou sempre o caminho para a revolução e abandonou o estalinismo, o maoísmo e as cedências à pequena burguesia baseadas nas teses do 7º Congresso da Internacional Comunista. Firme na defesa de que "o proletariado é a única força que pode intervir numa perspectiva para além do capitalismo", disse ao jornalista galego Carlos Morais, numa entrevista em 2004.

É no final dos anos 1940 que Martins Rodrigues integra o MUD. Aí revela as suas qualidades de activista e organizador. Preso no Aljube em 1950, é libertado em 1951, passa a trabalhar como activista do MUD e ingressa no PCP. É preso mais duas vezes e adopta um nome falso. Em 1953 torna-se funcionário do PCP.

Em 1961, integra o Comité Local de Lisboa e é cooptado para o Comité Central do PCP. Após a vaga de prisões na direcção do PCP, é chamado a integrar, com Alexandre Castanheira e Fernando Blanqui Teixeira, a Comissão Executiva do Comité Central do PCP, principal órgão de direcção no interior, acima do qual só havia o Secretariado.

Escreve um manifesto contra a guerra colonial que é censurado pela direcção. Cunhal escreve outro em substituição e a clivagem ideológica torna-se explícita. Martins Rodrigues defende uma luta do operariado consequente, ou seja, defende a luta armada. Começa a escrever aos outros membros da Comissão Executiva, exigindo debate sobre a linha do partido. Há uma primeira discussão sobre a China e sobre Portugal. Os outros defendem que primeiro há que conquistar a democracia, ele defende a insurreição armada.

Martins Rodrigues rompe com o PCP, ainda integrando o Comité Central.

Contra a linha do PCP, teorizada por Cunhal no Rumo à Vitória, escreverá, ainda em 1963, Luta Pacífica e Luta Armada no Nosso Movimento. Em Paris, em 1964, com Pulido Valente e d'Espiney, funda a Frente de Acção Popular (FAP) e, em Março, o Comité Marxista-Leninista Português (CMLP). Martins Rodrigues visita a Albânia e a China.

Martins Rodrigues e d'Espiney cumprem a decisão do Comité Marxista-Leninista Português matando a tiro um agente da PIDE infiltrado naquela organização. Há uma onda de prisões e Martins Rodrigues é de novo detido. É então submetido à tortura do sono, acabando por falar. É condenado em pena cumulativa (política e penal) de 20 anos. Ruy d'Espiney levou 15 e Pulido Valente 12, apenas por motivos políticos. Em 1974, Martins Rodrigues é o último a sair de Peniche. Spínola não queria a libertação dos presos de sangue. Os presos de extrema-esquerda recusam-se a sair e a libertação de todos é feita apenas a 27 de Abril de 1974. Nesta fase, são inúmeros os grupos ml (de marxista-leninista). Martins Rodrigues passa a fazer parte do Comité de Apoio à Reorganização do Partido m-l (CARP-ml). Depois integra a Organização para a Reconstituição do Partido Comunista Marxista-Leninista (ORPC-ml), que resulta da fusão de CCR-ml, URML e CARP-ml) e em 1975, está na fundação da frente União Democrática Popular e do Partido Comunista Português (Reconstruído), que junta várias organizações. Só num breve período do início da UDP, Martins Rodrigues aceita integrar o Comité Central.

É em nome da pureza do papel do operariado que, em 1984, abandona o PCP (R) e a UDP, acusando os outros dirigentes de cedências à pequena burguesia. Escreve então o livro "Anti-Dimitrov. 1935-1985 meio-século de derrotas da Revolução" (1985), onde sistematiza a sua crítica ao dimitrovismo, ao estalinismo e ao maoísmo. Funda a "Política Operária", a sua última revista, que manteve praticamente até à morte.

Francisco Martins Rodrigues morreu, com 80 anos, às duas e meia da manhã de 22 de Abril, o dia em que nasceu Lénine, referência até ao fim e ao qual voltava na busca do marxismo-leninismo".

Fontes: Página Vermelha e Público

Para uma biografia mais detalhada consultar: Almanaque Republicano

Atualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras:

1963 - Dez Luta Pacífica e Luta Armada no Nosso Movimento
1970 - Mai Defesa no Tribunal de Sintra
1978 - Fev O Povo não Esquece os seus Mártires Tarrafal: Fascismo Nunca Mais! - História do PCP e do Movimento Operário (9)
1978 - Mar A Herança do Tarrafal - História do PCP e do Movimento Operário (10)
1978 - Mar A Transformação Revisionista do Partido Comunista Português - História do PCP e do Movimento Operário (8)
1978 - Mar A Vida de José Gregório: Exemplo para os Comunistas - História do PCP e do Movimento Operário (7)
1978 - Set Primeiros Passos da Acção Sindical (1922-24) - História do PCP e do Movimento Operário (1)
1978 - Set A Traição Social-Democrata - História do PCP e do Movimento Operário (2)
1978 - Out A Greve de 1943 - História do PCP e do Movimento Operário (3)
1978 - Out As Lutas de Massas na Fundação do Partido - História do PCP e do Movimento Operário (4)
1979 - Jan A Traição Revisionista de 1956 - História do PCP e do Movimento Operário (5)
1979 - Mar Da Criação do PCP à Traição Revisionista - História do PCP e do Movimento Operário (6)
1979 - Abr O Democratismo, Arma do Revisionismo - História do PCP e do Movimento Operário (12)
1979 - Abr A Reorganização em 1929 - História do PCP e do Movimento Operário (13)
1979 - Mai As Teses para o Congresso Revisionista - História do PCP e do Movimento Operário (11)
1980 - Mai Desconfiem dos Milagres
1985 Introdução a Anti-Dimitrov
1985 - Out Regresso ao Lar
1985 - Dez Lutas Internas no PCP - História do PCP e do Movimento Operário (15)
1985 - Dez Monsanto
1986 - Abr Ganhámos?
1986 - Fev Pátria
1986 - Fev Receitas para Controleiros
1986 - Fev História Triste - História do PCP e do Movimento Operário (14)
1986 - Jun Avozinho Salazar
1986 - Out Diplomacia em Quito
1986 - Dez Notas sobre Staline
1987 - Jun Morrer de Joelhos?
1988 - Fev A Revolução Cultural e o Fim do Maoísmo
1988 - Jun Bukarine, o Percursor
1988 - Out Ainda Sobre Estaline
1988 - Dez Guerrilha sem Bandeira
1989 - Out O Pacto Hitler-Staline foi a Causa da Guerra?
1990 - Fev O Degelo da Burguesia Vermelha
1990 - Nov Resposta aos Comunistas Americanos
1992 - Dez Os Bolcheviques no Tribunal do Anarquismo
1993 A Derrota de Lenine
1995 - Mar Marx em Liberdade Vigiada
1997 - Out A Revolução que não Pôde ser Socialista
1998 - Abr PCP – Almada: a Verdadeira Doença
1998 - Abr “Perestroika” de M. Gorbatchov
1998 - Abr Viva o SIS!
1998 - Jun A Peste
1998 - Jun A Segunda Morte de Chico Miguel
1998 - Jun Nos Subterrâneos do Desanuviamento
1998 - Jun Zita
2000 - Out ETA, um Caso de Loucura Homicida?
2001 - Set Movimento Operário Portugués: a Longa Recomposiçom
2002 - Abr Agir Antes que Seja Tarde de Mais!
2002 - Jun Vem aí o Fascismo?
2003 - Fev Cuba Entregue às Feras
2003 - Fev Nós e os Movimentos Independentistas Ibéricos
2003 - Fev O que Falta para Termos um Movimento Antiguerra
2004 - Jan A Esquerda e o Parlamento
2004 - Mai Oitenta Anos a Enterrar Lenine
2004 - Jun Para quê Votar num Parlamento Virtual?
2004 - Ago O 25 de Abril e o que se Seguiu [Texto em Português da Galiza]
2004 - Set Há 200 anos. Babeuf e a Conspiração dos Iguais
2004 - Set Somos todos Proletários?
2004 - Set A Nova Europa e o Fascismo
2004 - Set O Comunismo Que Aí Vem
2004 - Out A Nossa Política Não Pode Ser a da Pequena-Burguesia
2005 - Jan A cada Classe, sua Europa
2005 - Abr Marxismo e Terrorismo
2005 - Mai 20 Anos
2005 - Jul Atentados Empurram Reformistas para a Direita
2005 - Jul Onde está o Inimigo? [Texto em Português da Galiza]
2006 - Fev XX Congresso do PCUS
2006 - Mar Três Doenças da Esquerda
2006 - Abr A Corrente M-L em Portugal
2006 - Abr O Nosso Fascismo Caseiro
2006 - Ago Bloco a Caminho da Meta
2007 - Fev América Latina "Nova Era Revolucionária"?
2007 - Jun A Outra Oposição
2007 - Jun Aprender a Lidar com os Reformistas
2007 - Ago O Acordo da Vergonha
2007 Ibéria
2008 O “Crime de Belas”
2008 Os Meus Trabalhos Prisionais
???? A “Ameaça Coreana”
???? A Bela Utopia Marxista
???? Acção Comunista em Tempo de Maré Baixa
???? A Privação do Sono
???? A Revolução Chinesa Nunca Existiu?
???? As “Classes Médias” no “Verão Quente”
???? As 4 Liberdades da Constituição Europeia
???? BE Apresenta as suas Alternativas
???? Classes em Portugal Hoje
???? Depois do 25 de Abril Venezuelano caminhamos para o seu 25 de Novembro?
???? Entrevista a Miguel Cardina
???? Falando de Internacionalismo
???? LCR Repudia a “Ditadura”
???? O Ano de 1961
???? O Centrismo como Embrião do Revisionismo Moderno
???? O Direito à Revolução
???? O Malogro da Internacional Comunista
???? Stalinismo ou Comunismo?
???? Staline de Novo
???? Vias de Aproximação ao Poder: Breve Resposta a Ronaldo Fonseca
???? 18 de Janeiro de 1934, uma Bandeira dos Marxistas-Leninistas
???? 25 de Abril em Três Tempos
   
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Abriu o arquivo 02/07/2016
Última atualização 20/05/2018